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Essa semana uma brisa fresca pairou sobre BH dando indícios que nosso curto inverno está chegando. E nosso corpo automaticamente começa a pedir uma comida quentinha, suculenta… não é vero?

Pois bem, cheguei do trabalho meio tarde e minha idéia era fazer um “Macaroni and Cheese”, clássica preparação americana, com molho de queijo gratinado. Mas ainda não achei/pensei uma receita que fosse “A” receita, então esta fica pra depois.

O que fazer então? Inventar, né… E uma coisa que cumpre bem o papel da comfort food, é rápida e gostosa é, tcharam: massa! E sabe uma coisa que eu adoro, invariavelmente? Mostarda. Parti destes dois ingredientes e inventei esta receita.

Ingredientes:
(para 2 pessoas)

– 200g de massa grão duro, de boa qualidade (pode ser qualquer formato, mas na hora me apaixonei pelo Papardelle)
– 1 dente de alho grande picado finamente
– 300g de filé mignon cortado em cubos (serve miolo de alcatra, mas neste caso corte em cubos menores e saiba que vai ficar um pouco mais durinha)
– sal, pimenta do reino moída na hora e azeite
– 10 cogumelos Paris médios, frescos, picados
– 1 colher de sopa de mostarda Dijon em grãos (l’Ancienne)
– 2 colheres de sopa de mostarda Dijon tradicional
– 0,5 litro de creme de leite fresco
– 100g de queijo Gruyére ralado
– 3 raminhos de tomilho fresco (opcional, mas muito bom)

Só um detalhe com relação às mostardas. Tenho as duas em casa e usei a l’Ancienne para dar uma textura, uma “bossa” no molho. Caso você opte por comprar só uma, compre a Dijon tradicional e use 2 colheres de sopa. Prove e se achar que cabe mais um pouquinho acrescente mais meia colher.

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Importante: tem que ser de boa qualidade, francesa. Essa marca é sensa! Hoje em dia nem está tão caro. Deixe na geladeira após aberta e faça ótimos molhos de salada com ela. As duas são ótimas para tal. É por isto que eu tenho duas três aqui em casa.

Simbora, então. Pique a carne em cubos “bite-size” (expressão americana intraduzível, algo como “do tamanho de uma bocada”). Reserve. Pique os cogumelos, mais ou menos do mesmo tamanho.

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2 coisas importantes sobre cogumelos:
1) Não lave-os, limpe-os com uma escovinha própria para cozinha. Eu limpo com papel toalha. Se lavar, ele começa a absorver água e fica péssimo! Há risco de um grãozinho de areia na comida? Não vou mentir, há. Mas se você for cuidadoso, o sabor valerá a pena. Já falei isto neste post, mas não custa reforçar.
2) Caso vá usar cogumelos em conserva, lembre-se que eles vão salgar e acidificar um pouco seu molho. Nesta receita não é essencial e caso você não encontre cogumelos frescos (o que no Brasil ainda é difícil em alguns lugares, snif) pode suprimir este ingrediente.

Voltando… Coloque uma panela grande, de preferência anti-aderente, para aquecer em fogo alto. Tempere a carne com sal, pimenta moída na hora e o alho picado (ou ralado, funciona bem também). Coloque um fio de azeite na panela e disponha a carne, tentando fazer uma só camada de modo que a maioria dos pedacinhos fiquem em contato com a panela. Deixe quietinho, SEM MEXER, até dourar quase completamente. Eu sei que é difícil não mexer, mas você vai conseguir! Porque isso tudo? Só porque você é fresca, Lívia? Não… Para evitar que a carne solte o “caldo” que são os seus sucos e que dão sabor e maciez a ela. Você vai ver que se começar a mexer a panela só quando a carne estiver quase toda “selada” não vai soltar quase nada de caldo.

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“Mas Lívia, eu não te obedeci e tasquei a carne na panela e comecei a mexer. Soltou um tantão de caldo. Como proceder?”. Deixe fritar até secar. E prepare-se, sua carne pode ficar menos tenra. Não retire o caldo pois nele está o sabor. Esse passo é realmente importante, creio que o único ponto crítico, por isso me delonguei mais.

E voltando de novo… Deu a primeira misturada na carne, acrescente os cogumelos e misture mais, para que eles absorvam o sabor da carne e murchem um pouco. A seguir, some uma colher da mostarda em grãos, as folhinhas do tomilho, dê mais umas mexidas e coloque todo o creme de leite. Logo esta panela vai abrir fervura. Este é o momento de colocar a água do macarrão para ferver.

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Ferva o molho até reduzir a um pouco mais da metade do volume (Cuidado! Pode entornar igual leite). Ele vai encorpar, pero no mucho. Coloque uns 50g de queijo Gruyére, abaixe o fogo e continue misturando delicadamente. O queijo vai derreter e ajudar a engrossar o molho. O ponto é o “napê”, aquele que se passa o dedo limpo nas costas da colher e fica a risca certinha do dedo. Atenção! Esta é a hora de provar e ajustar o sal.

Imagino que à esta altura sua água – com sal, lógico, isto nem vou ficar falando – já ferveu. Coloque o macarrão para cozinhar conforme o tempo sugerido na embalagem. Não precisa colocar óleo, igual nossas mães faziam. Use massa de boa qualidade, uma quantidade suficiente de água, mexa de tempos em tempos e garanto, não vai grudar.

Desligue o fogo do molho e acrescente a mostarda Dijon tradicional. Coloque primeiro só uma colher. Prove e caso goste, coloque mais uma. Eu amo; coloquei as duas.

Escorra a massa (reservando um pouquinho da água do cozimento), acrescente à panela de molho e mexa para absorver.

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Nesta hora você vai ver que encorpa um pouco mais. Se ficar muito seco e grudento, afine com a água do cozimento do macarrão.

Disponha nos pratos e coloque o resto do Gruyére ralado por cima. Sirva quentinho e delicioso!

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E aí, gostaram? Dá tempo de fazer hoje, hein… E quem fizer, quero ver! Adoro os feedbacks. Dúvidas, postem nos comentários.

Até a próxima!